O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, concedeu entrevista ao programa Canal Livre, da Band, neste domingo (07/06), e abordou temas centrais do cenário político nacional, incluindo eleições de 2026, necessidade de uma alternativa de centro para o país, economia, segurança pública, reforma dos poderes e desafios enfrentados pela democracia brasileira.
Assista aqui a íntegra da entrevista

Leia os principais trechos:
Centro democrático e eleições de 2026
Ao comentar a possibilidade de disputar a Presidência da República, Aécio afirmou que qualquer candidatura de centro precisa ser consequência de um movimento mais amplo da sociedade e não apenas de uma decisão partidária. “Nós temos que despertar o centro brasileiro, aqueles que hoje votam no Lula porque dizem não ao Bolsonaro, ou votam no Bolsonaro porque dizem não ao Lula. Mas nós temos que dar a essas pessoas a oportunidade de votar sim. Sim para um novo projeto de pacificação, de união nacional”, afirmou.
O presidente do PSDB destacou que existe espaço para uma alternativa que represente os brasileiros que não se identificam com os extremos e afirmou que seguirá trabalhando para fortalecer esse campo político.
O papel histórico do PSDB
Durante a entrevista, Aécio relembrou o papel desempenhado pelo PSDB ao longo das últimas décadas e defendeu a importância da legenda para a construção de um projeto nacional. “O PSDB é maior do que o número de deputados, de governadores ou de prefeitos que possa ter. O PSDB é um projeto de país, é um projeto transformador de país”, declarou.
Segundo ele, o partido foi o único que não aderiu nem ao bolsonarismo nem ao lulopetismo, preservando sua independência e coerência programática.
Economia, responsabilidade fiscal e crescimento
Ao analisar a situação econômica do país, Aécio criticou o aumento dos gastos públicos e afirmou que o governo federal repete erros que já produziram graves consequências para a economia brasileira. “Eu faço um paralelo com esse Lula 3 muito próximo do que foi o Dilma 1 do ponto de vista da gastança desenfreada”, disse.
Para o presidente tucano, a retomada do crescimento passa necessariamente por responsabilidade fiscal, controle dos gastos públicos e estímulo ao investimento privado. “Nós temos que ter uma política fiscal responsável, rígida, retomar o caminho das privatizações, discutirmos uma nova reforma na Previdência Social e, principalmente, é preciso que haja um governo que dialogue”, defendeu.
Aécio também defendeu a reforma administrativa como uma das medidas prioritárias para reorganizar as contas públicas e modernizar o Estado brasileiro.
Programas sociais e superação da pobreza
Questionado sobre políticas sociais, Aécio afirmou que o Brasil precisa avançar da simples transferência de renda para políticas que promovam autonomia e geração de oportunidades. “O governo do PT, na minha opinião, se aprofundou, se especializou na administração da pobreza, não na sua superação”, avaliou.
Ele voltou a defender a criação de mecanismos que incentivem a qualificação profissional e a inserção produtiva dos beneficiários dos programas sociais. “Nós precisamos construir portas de saída”, afirmou.
Segundo Aécio, o objetivo deve ser garantir que os programas sociais sejam instrumentos de emancipação econômica e não apenas de assistência permanente.
Reforma dos poderes e Supremo Tribunal Federal
Outro tema abordado foi a necessidade de uma ampla reforma institucional. Aécio defendeu a abertura de um debate nacional sobre o funcionamento dos poderes da República. “O próximo Presidente da República deve ter uma missão primária antes de todas as outras, que é propor uma reforma dos poderes, liderar esse diálogo nacional”, disse.
Entre as propostas apresentadas, destacou a adoção de mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal. “Eu acho que nós devemos fazer como fizeram na Alemanha, mandato de 12 anos para ministros do Supremo Tribunal Federal”, propôs. Segundo ele, a medida contribuiria para fortalecer o equilíbrio institucional e reduzir tensões recorrentes entre os poderes.
Congresso Nacional e reforma política
Aécio também criticou o atual modelo de funcionamento do sistema político e defendeu a implantação do voto distrital misto. “Eu só vejo a inversão dessa lógica para um Congresso mais qualificado se nós tivermos o distrital misto”, afirmou. Para ele, o modelo permitiria maior proximidade entre eleitores e representantes, além de fortalecer a qualidade da representação política.
Segurança pública e combate ao crime organizado
Ao tratar da segurança pública, o presidente tucano afirmou que o tema foi negligenciado pelo governo federal e defendeu uma atuação mais firme no combate às organizações criminosas. “O governo do PT, durante todos esses anos, foi leniente no combate à criminalidade, na agenda de segurança pública”, disse.
Ele relembrou propostas apresentadas pelo PSDB em eleições anteriores, como o fortalecimento da proteção das fronteiras, a criação de estruturas nacionais de coordenação da segurança e a execução integral dos recursos dos fundos destinados ao setor.
Caso Banco Master e delação de Daniel Vorcaro
Questionado sobre as investigações envolvendo o Banco Master e a possível delação de Daniel Vorcaro, Aécio afirmou que os desdobramentos podem produzir impactos relevantes no cenário político nacional. “Eu ainda acho que vai mexer muito e ninguém vai ficar imune a isso”, disse. Segundo ele, eventuais apurações devem atingir todos os envolvidos, independentemente de posição política, e precisam ser conduzidas pelas instituições competentes.
Pacificação nacional
Ao encerrar a entrevista, Aécio voltou a defender a construção de um projeto nacional capaz de reunir diferentes setores da sociedade em torno de objetivos comuns. “Eu não gosto de ‘terceira via’. Eu acho que é uma nova via que o Brasil precisa”, afirmou. E concluiu: “Existe vida inteligente entre os extremos.”






