Entrevista após reunião da federação PSDB-Cidadania – Brasília – 26-05-26

Deputado, do que depende na sua decisão, sim, a esse convite feito hoje?

Olha, eu recebi com uma honra enorme essa manifestação tão contundente dos companheiros da Federação PSDB Cidadania, do companheiro Paulinho da Força Sindical, presidente do Solidariedade. Acho que nos clamando a despertar, a nos posicionarmos, a encontrarmos caminhos para apresentar uma alternativa para o Brasil. Sou presidente do PSDB e presidente agora da Federação PSDB-Cidadania e, acredito, que temos uma contribuição muito grande a dar ao país.

Portanto, a partir desse chamamento liderado pelo companheiro Roberto Freire, vamos avançar nas conversas, não apenas com partidos políticos, mas também com partidos políticos, mas na sociedade, com aqueles que estão, como eu, indignados e angustiados com a precariedade das opções que estão hoje colocadas. Agora, é hora de conversa. Política é, sobretudo, conversar, ouvir, para que nós percebamos se há espaço realmente para a construção desse caminho.

Não gosto de chamar de terceira via, porque eu não vejo nos outros dois uma via que nos leve ao futuro. Portanto, eu chamo de a via. Quem sabe nós possamos construir essa via, esse caminho de transformação para o Brasil. Portanto, agora é hora de reflexão, de conversas e, nas próximas semanas, conjuntamente, a Federação vai tomar uma decisão. Não me coloco nesse instante, eu preciso deixar isso muito claro, como pré-candidato à Presidência da República, mas eu me coloco como um brasileiro indignado com o que vem acontecendo com o Brasil e otimista em relação à possibilidade que nós possamos ter de construir um caminho diferente.

O Sr. é um político experiente, e o tempo é curto, você acha que dá para ter viabilidade em uma pré-candidatura lançada agora?

Olha, política é a arte de administrar o tempo. Temos que ouvir, temos que esperar ver como é que as coisas caminham. O quadro vem se alterando com uma certa rapidez, né? Vejo o quadro ainda com alguma instabilidade. O que eu tenho certeza absoluta é que somos capazes de apresentar um projeto transformador para o Brasil, liberal na economia, inclusivo no campo social, responsável na área fiscal, ousado nas reformas que precisam atingir todos os poderes e reconectarmos o Brasil com o mundo, com o mundo desenvolvido, com a política externa pragmática que defenda os nossos interesses e não os nossos aliados ideológicos, como aconteceu no Brasil nos últimos tempos, nesse e no último governo.

Portanto, estou muito honrado com essa manifestação. Não tenho uma data para tomar uma decisão e ela vai depender fundamentalmente do apelo, da resposta que setores importantes da sociedade brasileira e do mundo político derem a essa iniciativa que, por si só, já vai fazer parte da minha história, do meu currículo, do presidente Roberto Freire, do presidente Alex e dos companheiros do PSDB.

Esse eventual prejuízo na candidatura de Flávio Bolsonaro em relação ao caso Vorcaro pode abrir uma possibilidade para o senhor atrair o voto da direita?

Olha, não penso nessa construção buscando atingir ou atacar quem quer que seja. Quero olhar para frente, quero olhar para o futuro. O Brasil perdeu muito tempo olhando para os lados. É claro que os brasileiros vão estar dizendo se esse ou aquele candidato merece a sua confiança. Não é essa a questão, para mim, central. Se alguém vai se desgastar mais, se alguém vai se desgastar menos. O que eu quero ver é se eu tenho realmente capacidade, e eu não sei se a tenho, se eu tenho capacidade para construir um projeto viável. Repito o que disse ontem: Se vocês me perguntarem se eu tenho disposição de liderar um projeto transformador para o Brasil, eu digo que sim. Se vocês me perguntarem se eu estou preparado para construir esse projeto, eu digo que sim. Me preparei toda a minha vida durante esses 40 anos de mandato. Agora, se vocês me perguntarem se isso é viável, é vocês que vão dizer. É o tempo que vai dizer e é o reflexo que estamos fazendo hoje aqui na sociedade que vai nos levar a uma decisão. Não preciso ser candidato à Presidência da República para contribuir com o Brasil na superação dessa polarização.

Portanto, vamos continuar aqui trabalhando, conversando, sobretudo ouvindo. E quem sabe isso pode significar a possibilidade da construção da via, do caminho que tenho certeza grande parte dos brasileiros ainda aguarda que seja construído.

Deputado, em Minas Gerais o PSDB e a federação tende mais para Alexandre Kalil ou para Gabriel Azevedo?

Olha, o companheiro Paulo Abi-Ackel que é o nosso presidente regional do partido, tem tido conversas com todas essas forças. Tenho um respeito enorme pelo Gabriel. Gabriel começou conosco no PSDB, é um idealista, é alguém que, certamente, vai ainda contribuir muito para com a Minas Gerais, para com o Brasil. É um talento nato, vive lá também as suas angústias, as suas dificuldades.

Conversei também recentemente com o ex-prefeito Kalil, todos me estimulando muito uma candidatura minha ao Senado, mas agora eu tenho que recuar um pouco nessa questão mineira, deixar que o deputado Paulo Abi-Ackel, que é o presidente do partido, conduza essas conversas para eu me concentrar na responsabilidade, na missão que me foi dada hoje aqui.

Ouvir a sociedade dentro e fora dos partidos políticos e chegarmos à conclusão de que é possível ou não construir esse caminho, porque o nosso planejamento era para prepararmos a federação para os desafios de 2026.

Sobrevivemos de forma muito vigorosa nessa janela partidária, crescemos com o trabalho dos companheiros da Federação, do Adolfo em especial, do Paulo, o partido cresceu. Portanto, se prepara para voltar a ter um papel relevante, decisivo nas grandes questões nacionais.

Mas o projeto estava se encaminhando para a construção disso pelos próximos quatro anos com o exaurimento, com o cansaço, com a fadiga, que já é grande e vai ser ainda maior dessa polarização. Mas o que estamos vendo hoje é uma nova manifestação e essa nova manifestação vai me levar a uma profunda reflexão. Obrigado.

Entrevista durante encontro do diretório do PSDB-RS – Porto Alegre – 05/02/26

Sobre PSDB

O Brasil está inundado de partidos pragmáticos que vivem a lógica de aumentar o fundo partidário, com isso aumentam suas bancadas, aumentam mais ainda os fundos partidários, para depois apoiar qualquer governo, seja de esquerda, seja de direita. O PSDB optou pelo caminho mais difícil, de construir um projeto para o Brasil. Então, isso faz com que, mesmo com menos parlamentares que nós já tivemos lá atrás, estejamos hoje muito mais Unidos.

Estamos recebendo adesões no Nordeste, no Centro-Oeste, na região Central, na região Sudeste e sairemos dessa janela fortalecidos. Mas vamos ultrapassar 30 parlamentares federais eleitos nas próximas eleições, alguns governadores, e queremos voltar a apresentar um projeto para o Brasil. Por isso, estou aqui muito feliz com o que estou vendo. Temos uma pré-candidatura colocada do prefeito Maranata, que tem muita determinação, tem uma administração muito bem avaliada no seu município e vai mostrar isso no estado do Rio Grande.

Muitos mandaram coroa de flores para o PSDB, acreditando nas nossas exéquias. Não. O PSDB volta forte porque o Brasil precisa do PSDB.

Qual a importâncias desse encontro no Rio Grande do Sul e também no restante do país. Qual é a importância de fazer esse tipo de reunião e qual a sua expectativa para as eleições desse ano?

Olha, o PSDB É um partido que o Brasil conhece. O PSDB não é uma novidade. O PSDB tem uma história, as principais transformações ocorridas no Brasil nas últimas décadas tiveram ali a ação do PSDB em todas as áreas, não apenas na economia, mas também nas áreas sociais.

E nós estamos nos reencontrando com quadros antigos que, de alguma forma, já tinham saído do partido, e estão voltando, acreditando nesse novo momento. Mas isso só acontece falando com as pessoas.

O prefeito Maranata, nosso pré-candidato a governador, tem uma agenda de encontros regionais no Estado, outros pré-candidatos nossos estão fazendo isso em outros Estados e nós, logo após o fechamento da janela partidária, faremos uma grande reunião em Brasília com os novos filiados, com as novas adesões, para aí sim, partirmos para a campanha eleitoral com o discurso na questão nacional unificado.

Obviamente, os discursos regionais sempre têm que ter o seu espaço, as questões locais são muito relevantes, cada estado vai tratar das suas questões, mas é importante que quando alguém votar no candidato do PSDB, saiba em quem está votando. É no partido que tem um projeto no Brasil. O Brasil é o partido da responsabilidade fiscal, é o partido do pragmatismo na política externa, é o partido do desenvolvimento econômico, da administração das desigualdades sociais, então é um partido que tem a cara do que o Brasil precisa.

Sobre a volta à presidência nacional do PSDB

Eu só voltei à presidência do partido porque acredito que vamos construir um novo projeto presidencial em pouco tempo.

Há algumas especulações sobre as candidaturas gaúchas ao Senado. O PSDB deve lançar algum candidato gaúcho ao Senado?

Nós temos hoje colocada a pré-candidatura do prefeito Maranata ao governo e várias candidaturas à Câmara e à Assembleia, em especial do deputado Daniel Trzeciak caberá à direção estadual, presidida pelo governador Moisés construir, a nossa chapa. Essa é uma autonomia que a direção nacional dá aos Estados. Então, essa construção da chapa majoritária caberá ao governador Maranata, caberá à Executiva estadual.

Com relação aos candidatos presidenciáveis, o PSDB já tem alguma definição de quem apoiará?
O PSDB é adversário histórico do PT. Nós nunca nos identificamos com o PT. Ao contrário, ao longo de 30 anos, combatemos o governo, como diz o Maranata, da gastança, da gestão pouco qualificada, que a meu ver vem atrasando o Brasil.

Queremos buscar um caminho ao centro. Nós não nos identificamos também com a pauta de costumes, de valores, de setores mais radicais do bolsonarismo, principalmente quando ameaçam a democracia. Então nós temos tempo ainda para tentar construir um caminho ao centro. Eu tenho conversado com diversas lideranças políticas, inclusive de outros partidos, e acho que ainda vai ter movimentação nesse quadro partidário. O PSDB quer caminhar ao centro apresentando um projeto longe dos extremos.
O que eu tenho dito, existe vida inteligente longe dos extremos e nós viemos aqui para provar isso.

Entrevista após posse como presidente nacional do PSDB

Brasília – 27-11-25

Sobre quadro nacional

O PSDB se prepara para voltar a ser protagonista da política nacional. A ausência do PSDB no centro de debate político nos últimos anos fez muito mal ao Brasil. Vemos hoje que não há espaço para a agenda que interessa aos brasileiros. Vivemos uma agenda da polarização política que só interessa aos extremos. Chego à presidência do partido que já ocupei há alguns anos atrás, quando construímos uma candidatura à presidência da República que, infelizmente, não foi vitoriosa e, de lá para cá, acho que o Brasil cometeu equívocos sucessivos, mas nós voltamos com a mesma disposição de dizer ao Brasil que existe caminho inteligente ao centro, fora dos extremos. Nós temos que permitir que uma parcela da população que vem votando não, não a um extremo, aí vota no outro, e não a esse e vota naquele, acaba votando contra o Brasil. Não podemos mais continuar buscando o menos pior. O PSDB vem para apresentar um projeto para o Brasil, um projeto liberal na economia, inclusivo do ponto de vista social, pragmático nas relações externas, sem alinhamento ideológico, que preza a responsabilidade fiscal como instrumento adequado de gestão pública, que estimula portas de saída para emancipar os dependentes hoje dos programas sociais que, inclusive, foram criados inicialmente por nós. O Brasil está precisando de uma agenda real. O PSDB vem com essa ambição, com esse propósito de apresentar essa agenda ao Brasil. É ao centro, o centro que dialoga com os extremos, mas que não perde tempo nessa luta fratricida que só interessa eleitoralmente àqueles que dela fazem parte.

Candidatura do PSDB à Presidência

O PSDB tem o dever, nesse momento, de se reorganizar para retomar o seu espaço no Congresso Nacional, essa é a nossa primeira prioridade. Mas temos o dever, nossa responsabilidade, de trabalhar para construir uma candidatura viável de centro, que enfrente o atual governo e que permita que os problemas reais dos brasileiros voltem a ser debatidos, porque isso não está acontecendo. O que se debate hoje a favor da anistia é contra um, é contra outro. O Brasil é muito maior que Lula e Bolsonaro juntos. Então, o nosso primeiro esforço é na construção de uma candidatura ao centro que não precisa, necessariamente, ser do PSDB, mas, se não surgir, se as candidaturas colocadas representarem os extremos, o PSDB deve ter a responsabilidade de se preparar até mesmo para apresentar uma candidatura presidencial.

Esse centro pode ser Tarcísio?

Vai depender fundamentalmente dele, com quais propostas ele venha. Se ele vem apenas representante do bolsonarismo é muito difícil que seja uma alternativa para nós. Mas nós não colocamos um veto primário, um veto antecedente para quem quer que seja. Vamos conversar com todas aquelas candidaturas que se disponham a virar essa página que agora se encerra com o cumprimento de prisão daqueles que atentaram contra o Estado Democrático de Direito e não vamos permitir que nas eleições essa agenda seja levada para a campanha porque ela não interessa mais aos brasileiros.
Eu sou filho, eu sou neto da democracia. Atentar contra o Estado Democrático de Direito é um dos maiores crimes que se possa cometer. Os processos avançarem não cabe a mim julgar se a pena foi excessiva ou não é. Cabe a mim dizer: a decisão da Justiça tem que ser cumprida. Vamos virar essa página. O PSDB está aqui para dizer: vamos debater a continuidade da reforma tributária, seu aperfeiçoamento. Vamos debater a questão da educação, da segurança pública, esse tema tão adiado pelo PT ao longo de décadas. É isso que espera o Brasil de nós. Nós viemos para nós para qualificar o debate político e não fechamos porta para nada, nem para uma candidatura presidencial ao centro.

O senhor é contra a anistia?

A anistia não existe. A anistia é inconstitucional. Esse é um assunto que interessa aos extremos. Trazer essa pauta. É uma pauta fora da realidade do Brasil. O Supremo Tribunal Federal já disse de forma absolutamente clara que crimes contra a democracia, golpe de estado, atentado contra o Estado Democrático de Direito não são passíveis de anistia, portanto, sequer discuto isso. Isso não vai acontecer. Vamos discutir o Brasil real. Esse é o papel, essa é a contribuição que nós do PSDB temos a dar.

O PSDB apoiaria o Tarcísio?

Vamos ver com quais propostas ele se apresenta. Ele é governador de São Paulo. Tem de ser respeitado como tal. Se ele incorporar uma pauta de centro, com muitas das ideias que nós defendemos…Não há no Brasil hoje nenhuma transformação estrutural que não tenha sido originada pelo PSDB e pergunto quais são as do atual governo do PT ? Eu não conheço quais são as do bolsonarismo, eu não conheço. Quais são as do PSDB. Estão aí o SUS, a telefonia celular, as privatizações, a Lei de Responsabilidade Fiscal, a estabilidade da economia com o plano real. Essas são conquistas definitivas, então temos autoridade para dizer: nem um, nem outro. E acho que a maioria da população brasileira já compreende que não deve ou não se identifica já com um extremo nem com outro. Vamos ocupar o nosso espaço central na política brasileira.

Vários partidos prestigiaram a sua convenção. Isso significa uma aliança no futuro?

Política é feita de gestos, de sinais. Esta é uma lição que eu trago de casa, lá de Minas, de muito cedo. A presença de partidos da centro-direita, líderes de partidos da centro-esquerda, acho que é uma constatação de que estamos no lugar certo. Nós estamos no centro. Nós temos a capacidade de dialogar mesmo com os extremos, mas nós somos o único partido, o PSDB, que não se curvou a nenhum deles, que não participou de governo Bolsonaro e muito menos do governo Lula. Esse é um ativo político que temos que ressaltar e isso nos permite dialogar, mas dialogar sobre o que? Sobre a pauta dos extremos? Não. Me nego a fazer isso. Dialogar sobre o Brasil sobre os problemas reais do Brasil. Então, estamos aqui, como poderia dizer o meu antigo amigo colega governador da Califórnia “I’m back”, o PSDB está de volta.

Então se o Bolsonaro apoiar o Tarcísio, o senhor não apoia o Tarcísio?
Eu não posso questionar os apoios que o Tarcísio eventualmente venha a ter. Eu quero saber o que significa a candidatura de Tarcísio. O que ela oferece para o Brasil. Não há um veto prévio. Se for simplesmente representar a pauta bolsonarista, ele deixa de ser uma candidatura de centro. Se ele quiser discutir conosco problemas reais do Brasil eu sou o primeiro a estar disposto a sentar na mesa para discutir isso.

Sobre a cláusula de barreira, o PSDB vai insistir na fusão com o Podemos?

O PSDB vai disputar as eleições como está e vamos ultrapassar com muita folga a cláusula de barreira. Essa já não é mais uma preocupação nossa. Vamos receber muitas filiações de parlamentares agora na janela partidária, vindas de vários campos, possivelmente mais senadores, muitos deputados federais e estaduais. O PSDB vai vir forte nessa eleição e vai ocupar, pelo bem do Brasil, o seu papel de protagonista da política brasileira.

Discurso de posse como presidente do PSDB


Brasília – 27-11-25

Inicio saudando o nosso líder maior, querido amigo Fernando Henrique Cardoso, nosso Presidente de Honra e referência permanente dos valores e princípios norteadores da grande transformação do Brasil contemporâneo.
Caríssimo presidente Marconi Perillo, parceiro de todas as horas, a quem homenageio com um justo reconhecimento coletivo, pela jornada complexa e exaustiva desses anos. Trabalho que preservou a representação da social-democracia brasileira no quadro partidário nacional.
Caros membros do Diretório Nacional, companheiros de jornada nesses tempos tão difíceis.
Senhores parlamentares e dirigentes partidários, que nos honram com suas presenças nesse evento carregado de simbolismo.
Aproveito a oportunidade para também cumprimentar e agradecer à valorosa equipe do ITV, instituição que tive a honra de presidir nos últimos anos, e que se transformou em instrumento essencial de qualificação do posicionamento, das ideias e das propostas do PSDB.
Caros tucanos que nos acompanham pelas redes, espalhados por todo este imenso país.
Meus amigos,
Minhas primeiras palavras são de sincera gratidão à renovada demonstração de confiança e apreço que recebo neste momento, de cada um de vocês.
Mais uma vez, honrado, aceitei esta impositiva convocação, por entender o papel relevante do PSDB, nesse trecho tão estranho e obscuro da história nacional.
Sabemos todos que, com as circunstâncias atípicas deste momento político, poderíamos ter caminhado na direção de escolhas mais fáceis e confortáveis.
Resistimos a todas elas não por qualquer demérito das proposituras ou dos proponentes, mas porque soou mais forte, dentro de cada um de nós, o chamado da responsabilidade: o dever de não fraquejar e de jamais desistir.
Isso, apesar das perdas substantivas de quadros eleitos no último pleito nacional pela bandeira do PSDB, seduzidos pelas suas próprias circunstâncias.
Mas isso não nos abalou. Nascemos na adversidade.
Nos anos de 1988/89, saímos quase todos de partidos que governavam nossos Estados e o país para acreditar no sonho de construir no Brasil um partido político que defendia o parlamentarismo. Que acreditava na responsabilidade fiscal e na gestão eficiente como instrumentos essenciais à diminuição das desigualdades que ainda hoje nos assombram.
Não, não nos acovardamos diante do chamamento de Franco Montoro, que nos convidava, naquela época, a nos colocarmos “longe das benesses do poder e próximo ao pulsar das ruas”. Atendemos todos a essa convocação.
Ver companheiros valorosos fazendo hoje o caminho inverso nos entristece, mas não nos esmorece.
Não nos esmorece porque permanecem vivos, dentro de muitos de nós, os mesmos valores e princípios daquela época, e aquela velha chama da esperança que fizeram, há quase quarenta anos, nascer o PSDB, em pleno processo Constituinte.
Caras amigas e amigos
Nós, tucanos, compartilhamos um sentimento hoje cada vez mais raro na política: a crença em um ideário poderoso que nos foi legado pela dignidade de homens públicos da estatura de Mário Covas, de Franco Montoro, de José Serra, de José Richa, Euclides Scalco e Pimenta da Veiga, dentre tantos outros que nos ajudaram a escrever esta longa e inconfundível trajetória.
É um gigantesco legado consumado definitivamente sob a reformadora presidência de Fernando Henrique Cardoso.
Nos orgulhamos em constatar que governos do PSDB se tornaram ao longo do tempo paradigmas de boa e ousada governança, reconhecidos até mesmo pelos nossos mais ferrenhos adversários.
De tão marcantes, de tão emblemáticos e de tão transformadores, foram capazes de alterar o curso da história e mudar o destino do Brasil moderno.
Por tudo isso, o PSDB não é apenas este que aqui hoje está, em pleno processo de retomada e reconstrução.
Para onde quer que se olhe nesse imenso Brasil do nosso tempo, lá estará o PSDB. Está nas boas práticas de governo, nas políticas públicas mais avançadas. Basta lembrarmos aqui da estabilidade da nossa economia com o fim da inflação, o SUS, as privatizações que conectaram o Brasil ao mundo, a responsabilidade com o dinheiro público e com as causas sociais.
Desse ponto de vista, permito-me homenagear uma vez mais o presidente Fernando Henrique Cardoso.
Não apenas como inspiração permanente que nos guia, mas especialmente como uma vibrante luz lançada sobre o obscurantismo que se abateu, irremediavelmente, sobre a política nacional nestes tempos tão difíceis.
Toda essa obra grandiosa se espalha por inúmeros outros estados e municípios brasileiros. Poderia falar de São Paulo, Minas, Ceará, Paraná, dentre tantos outros. Mas eu quero destacar nesse instante o vizinho estado de Goiás, Marconi, e as políticas inovadoras implementadas no seu governo quer inspiraram todo o Brasil.
A verdade, meus amigos e minhas amigas, é que fomos todos atropelados pela tragédia da polarização ideológica que se abateu sobre o Brasil e eu tenho o dever de fazer aqui uma reflexão sobre essa questão.
Essa polarização, nos últimos anos, sequestrou, de forma impiedosa, a racionalidade e o equilíbrio nas discussões sobre o Brasil. Não cabe aqui uma análise mais aprofundada das circunstâncias políticas que nos imobilizaram e que criaram as condições para que o povo brasileiro se tornasse refém dessa polarização estéril.
Mas é impossível não mencionar o efeito danoso da irresponsável criminalização generalizada da atividade política ocorrida no país há alguns anos.
Manifesto aqui a minha solidariedade aos companheiros tucanos e de outros partidos que, assim como eu, foram covarde e injustamente acusados por atos jamais praticados. Companheiros que, assim como eu, foram absolvidos de todas as irresponsáveis acusações de que foram vítimas.

Meus amigos, presidente Hugo, esse capítulo da nossa história ainda há de ser devidamente contado. Muito ainda há de ser dito e os interesses ocultos naqueles tempos sombrios, definitivamente revelados.
Amigos, amigas, a história do PSDB, acima de tudo, é uma história de coerência. De coerência e respeito enorme pelo Brasil. De coerência de quem jamais se negou, por exemplo, a apoiar políticas públicas que fossem benéficas ao país, vindas elas de onde viessem, de governos de esquerda ou de direita.
Mas a verdade é que assistimos, nos últimos anos, a política brasileira perder uma de suas mais valiosas qualidades: a capacidade de dialogar, d construir, de buscar consensos em torno do que interessa, em torno das das grandes causas nacionais.
Mas devemos reconhecer, e faço isso aqui de público, que o PSDB cometeu erros. Mas, dentre eles, o maior deles foi não ter defendido com o vigor e a coragem necessários, os avanços promovidos quando governamos o país. E hoje aqui estamos. E estamos onde sempre estivemos. E somos o que sempre fomos – a voz responsável do centro democrático, vocacionada a superar conflitos sob a inspiração do interesse nacional. E, assim, estamos prontos para voltar a construir pontes, onde só há tensão, onde so há enfrentamento.
É hora, amigos e amigas, de radicalizarmos ao centro. Vamos dizer aos brasileiros, de cada parte desse imenso Brasil, que há vida inteligente, comprometida com o país, fora dos extremos.
E que o Brasil não merece continuar a pagar a conta desta guerra interminável que nos amesquinhou e tenta reduzir a quase nada a imensa dimensão do povo brasileiro.
Não merecemos ser o país onde adversários viram inimigos irreconciliáveis. Onde famílias se fragmentam. Até mesmo porque sabemos que essa luta fratricida tem sido alimentada por uma perversa lógica eleitoral.
Nas próximas eleições, não podemos nos conformar em escolher o caminho menos pior. Hoje, já é possível constatar que grande parte dos brasileiros não se sente representada pelos extremos que têm polarizado a política brasileira nos últimos anos.
A maioria está cansada dessa confrontação inútil e interminável e busca alternativas para a solução dos graves problemas estruturais que se eternizam no país.
Aí está, meus amigos, aberta a avenida da pacificação nacional que devemos percorrer com confiança, coragem e determinação. É com esses brasileiros que precisamos voltar a conversar. Voltar a dialogar.
Temos a obrigação de agir para desobstruir o diálogo nacional, hoje anêmico e fragilizado.
E nesse momento, faço aqui uma homenagem ao presidente Hugo Motta. Já me sentei, presidente, naquela cadeira. Sei da sua relevância. Sei dos conflitos permanentes que Vossa Excelência tem que arbitrar, mas quando o vejo sentado na Presidência da Câmara dos Deputados, vejo um homem público completo, maduro, preparado e equilibrado para nos guiar para superarmos as dificuldades enormes que ainda temos.
Quero aproveitar e saudar a presença do companheiro amigo Pedro Campos, líder do PSB. Muito obrigado pela sua presença. Leve ao prefeito João Campos as minhas homenagens e sempre a minha homenagem do meu querido amigo e companheiro de trincheiras distintas, mas do mesmo sonho, Eduardo Campos, com quem tive a oportunidade de conviver junto na minha atividade política.
Mas para o PSDB, o compromisso com a democracia está na raiz da nossa própria existência. Sobre a sua antítese – a ditadura – é preciso repetirmos, todos os dias, com todas as letras, em alto e bom som, aquelas definitivas palavras de doutor Ulysses na histórica promulgação da Carta Cidadã brasileira: “Sobre a ditadura, temos ódio. Ódio e nojo!” Esse é o PSDB.
Portanto, promover a reconciliação nacional, tendo como base a preservação do estado democrático de direito, é tarefa urgente a um país dividido e convulsionado.
Senhoras e senhores, infelizmente, temos hoje um governo que atua apenas na direção dos seus próprios interesses. E peço licença a alguns líderes aqui para expor, de forma muito clara, o sentimento do PSDB. S eo governo vem nos expondo ao risco futuro das mesmas turbulências a que já nos expôs no passado, quando nossa economia enfrentou a pior recessão da história, causada por um governo que transformou as contas públicas em ferramenta para vencer as eleições. Me refiro ao ano de 2014.
É absolutamente crucial retomar, dentre outras, a discussão sobre a qualidade do gasto público. Mas não apenas isso. Há muitos outros grandes desafios a serem enfrentados. Vivemos em um país em que os índices de miséria e pobreza continuam a agredir nossas consciências diariamente.
É assim, porque não há, na minha visão, eu já discuti lá atrás, esforço contínuo e estrutural para alargar as portas de saída dos atuais programas sociais, com uma perspectiva de efetiva e transformadora mobilidade social.
Isso ocorre porque temos um governo que prioriza a administração diária da pobreza quando devem estar buscando a sua definitiva superação. Mais recentemente a discussão sobre segurança pública sempre adiada pelos sucessivos governos do PT, reduziu-se a uma guerra de narrativas onde sobrou muito pouco espaço para uma discussão aprofundada sobre os efeitos das medidas propostas na vida real das pessoas, principalmente aquelas que vivem sitiadas e sequestradas pelo crime organizado.
E, no Congresso, o PT, ao final, incompreensivelmente, votou contra o projeto em grande parte construído pelo próprio governo. Mas, como a avaliação era de que a proposta já não trazia dividendos eleitorais ao partido, o melhor a fazer era derrotá-la.
É o velho PT. O mesmo que se negou a apoiar Tancredo Neves no Colégio Eleitoral para colocar fim a 21 anos de ditadura no país. O mesmo PT que votou contra a Constituição de 1988, que votou contra o Plano Real ou que votou contra a Lei de Responsabilidade Fiscal.
O mesmo PT, que sempre que teve que escolher entre o Brasil e o PT, escolheu o PT. E, no recente debate de segurança pública não foi diferente. Velhas práticas, senhoras e senhores, não constroem um novo país.
É nosso dever, no próximo pleito geral, denunciar o imobilismo e a leniência do estado nacional e o flagrante esgotamento da agenda governista. Vamos defender ou voltar a defender as causas nacionais que sucumbiram, anêmicas, à sanha das agendas extremistas e aquelas meramente eleitorais.
É também a hora de alertar o país para o aqui, para o agora. Os desafios do clima, da insegurança alimentar no mundo e da transição energética global estão colocados à nossa frente de forma irreversível. Precisamos enfrentar esses temas para, mais uma vez não titubearmos diante da possibilidade de o Brasil finalmente dar o esperado salto para o futuro.
Não aquele futuro tantas vezes prometido e frustrado pela inépcia e miopia dos que nos conduziram, não me refiro ao governo apenas, a bordo dos seus interesses. Mas falo um novo, de um possível futuro que juntos podemos construir. Esse futuro esmurra insistentemente a nossa porta, à espera de gestos de verdadeiro patriotismo. Está à nossa frente. O Brasil que queremos, podemos e merecemos ser.
Termino essa minha manifestação, meus amigos e minhas amigas, renovando minha determinação pessoal que, tenho certeza, é a mesma de inúmeros companheiros de todo país que aqui hoje estão, e de lideranças de outros partidos que aqui estão, das dificuldades para recolocar o PSDB no centro das grandes discussões nacionais estão sendo superadas. Devemos muito aos presidentes que me antecederam.
Vamos voltar, líder Pedro, a dialogar com todos aqueles que, como você, querem tirar o Brasil do imobilismo e da letargia e que querem construir um tempo em que os interesses dos brasileiros se coloquem à frente dos interesses eleitorais seja de quem for.
Esse a meu ver deve ser o nosso mais urgente e mais decisivo passo.
Já fizemos antes, é hora de trocar aquilo que nos distancia por aquilo que nos aproxima e une, tendo como condicionantes inescapáveis, as causas reais do povo brasileiro.
Precisamos nos despir das vaidades e da arrogância pretensiosa dos falsos heróis, para fazer o que o Brasil espera de nós. E, por fim, me permitam terminar lembrando algumas as sábias palavras do meu avô Tancredo que, estou certo, ainda ecoam na alma de muitos brasileiros. Dizia ele àquela época, senhor presidente, por favor, que “Pátria é tarefa coletiva e diária. Ninguém fará por nós o que é nosso dever fazer.” Conte conosco, vamos juntos. O Brasil é um só e é de todos nós. Que Deus nos ilumine!

Entrevista – Executiva do PSDB – 29 de abril

Brasília – 29-04-25

Assuntos: Reunião da Executiva do PSDB – Fusão PSDB/Podemos

Ouça o áudio da entrevista

A ausência do PSDB nos grandes debates nacionais levou a essa polarização extremamente rasa, inculta, violenta que assistimos hoje. A executiva do PSDB, sob o comando do presidente Marconi Perillo, por unanimidade, decidiu hoje, pelo aprofundamento das negociações com o Podemos e, dentro de 35 dias, estaremos anunciando ao Brasil, espero eu, esperamos todos nós, a constituição de uma nova força política no centro democrático. É isso que o Brasil precisa.

Os brasileiros estão cansados de votar não. Não a esse, então eu voto naquele. Não a aquele, eu voto nesse. Vamos dar oportunidade aos brasileiros voltarem a votar sim a favor de projeto desenvolvimentista, inclusivo do ponto de vista social, audacioso e ousado, como foi o projeto lá atrás que nos levou ao Plano Real, à Lei de Responsabilidade Fiscal. Estamos todos aqui hoje muito felizes com esse novo vigor do PSDB. Eu brincava com o presidente Marconi, com a nossa presidente Cíntia, de que aqueles que mandaram coroas de flores para as nossas exéquias vão ter que pedir reembolso, porque o PSDB volta mais forte do que nunca.

E vocês estão discutindo com alguns tucanos que sinalizaram que iam sair do partido?


Acho que essa decisão, e repito mais uma vez sobre a liderança do presidente Marconi, ela dará tranquilidade a todos aqueles que acreditam na necessidade do fortalecimento de partido ao centro. Se um ou outro, por questões locais, circunstanciais, optarem por uma outra direção, serão respeitados por nós. Mas o que o partido e seus dirigentes precisavam fazer, nós fizemos. Demos uma alternativa que vai muito além da sobrevivência do partido. Estamos revivendo um sonho de 37, 38 anos atrás, construindo um partido longe do poder. O PSDB foi o único partido expressivo no Brasil que se negou a participar do governo Bolsonaro e não participa do governo Lula, porque acreditamos num país diferente. Tenho hoje o mesmo sentimento que eu tinha quanto da fundação do PSDB. Esse partido veio para ficar e acredito, já a partir do próximo ano, para liderar as grandes discussões nacionais.

Foto: Kiko Scartezini

Entrevista em São João del-Rei – 21 de Abril

Fotos: Leo Lara

Sobre a importância de Tancredo para o processo de redemocratização do país?

O Brasil vive hoje o mais longo ciclo democrático de toda a sua história republicana. E revisitar esse momento, de 40 anos atrás, eu acho que é uma sinalização que nós damos, principalmente para as novas gerações, da importância de vivermos hoje em uma democracia, em liberdade, onde nós próprios podemos definir o nosso destino. Muita gente pode achar que sempre vivemos assim. Não foi assim. Foi uma arquitetura extremamente bem construída, não só por Tancredo. Tancredo talvez tenha tido a virtude de liderá-la no final como candidato à Presidência, mas foram muitos brasileiros daquela geração que nos permitiram deixar 21 anos de arbítrio para trás e construirmos um caminho novo para o Brasil.

Portanto, ao homenagear Tancredo, estamos homenageando todos aqueles que permitiram que o Brasil, apesar de todos os desencontros, apesar de todo o radicalismo, apesar das tentativas de ruptura democrática, o Brasil continua sólido, sobre instituições fortalecidas. A presença aqui hoje do presidente da Câmara, deputado Hugo Mota, é uma honra muito grande para todos nós, porque ele preside uma casa, que eu já tive a honra de presidir, que é o retrato mais bem acabado da democracia. Ali está o Brasil, com suas virtudes, com as suas mazelas, com as suas diferenças, mas sempre forte na defesa da democracia. Por isso, eu estou muito honrado com a presença de tantos e de tantas amigas aqui hoje.

O senhor falou da tentativa de ruptura da democracia, como o senhor está vendo essa questão da anistia que está em discussão atualmente?

Olha, o presidente Hugo tem sabido conduzir isso com extrema serenidade. O esforço que todos nós fazemos, e aí talvez inspirado por Tancredo, é o da conciliação, é o da busca da convergência. O Brasil é muito mais do que essa polarização rasa, inculta, radicalizada que nós vivemos hoje. Então, tenho certeza de que ele, com a serenidade, com a autoridade que tem, com o apoio de todos nós, vai encontrar um caminho que permita o Brasil olhar pra frente, porque a obra a ser construída é ainda enorme, os desafios são ainda muito grandes e nós temos plena confiança na condução que está dando ao processo o presidente Hugo Mota.

Sobre o PSDB

O PSDB também foi um partido essencial à democracia. Essencial às principais reformas econômicas que vivemos, que deixaram para trás o passado negro da inflação. E ao contrário do que presumiam alguns, eu costumava brincar que aqueles que mandavam coroas de flores para o velório do PSDB vão ter que pedir reembolso, porque o PSDB vai ressurgir mais forte do que nunca, aliado ao Podemos. Vamos anunciar nos próximos dias a incorporação dos dois partidos e vamos apresentar ao Brasil um caminho ao centro, que dialogue com os extremos, mas que permita ao Brasil agir como agiu Tancredo e tantos outros atrás, de forma generosa, de forma desprendida. Repito, o Brasil não se resume a essa polarização que está aí hoje. E o PSDB, assim como outros partidos, o próprio partido do presidente Hugo, o Republicanos, com quem nós temos conversado muito, buscam construir lá na frente um grande entendimento em favor do Brasil que olhe para o futuro e não apenas para o passado.

O sr. será candidato em 2026 a governador ou a presidente da República?

Não, eu estou já encerrando a minha caminhada. Quero estar ao lado dessas forças políticas ou desses setores da sociedade que não se contentam com essa polarização. E falo com muita, muita sinceridade. O Brasil não é só isso. Hoje temos setores do Brasil que votam no extremo porque não se identificam com o outro e votam no outro porque não se identificam com um. Vamos apresentar ao Brasil uma alternativa onde as pessoas votem num projeto liberal na economia, inclusivo do ponto de vista social, pragmático na nossa política externa, que defenda os interesses do Brasil e que não se alinhe apenas do ponto de vista ideológico. Eu estou muito animado com o que está surgindo aí e vamos dar tempo ao tempo. Eu digo sempre que a decisão correta no tempo errado muitas vezes dá errado.

Mas o sr. não vai ser candidato, é isso?

Não, eu não tenho ainda uma decisão tomada, mas não trabalho por isso. Eu trabalho para consolidar uma nova força de centro, de centro democrático no Brasil a partir da fusão do PSDB com o Podemos, da Aliança com Solidariedade e, também, de uma federação com outras forças políticas com as quais nós estamos conversando.